terça-feira, 15 de março de 2011

A ARTE EGÍPCIA


arte egípcia esteve fortemente influenciada pelos preceitos religiosos de sua cultura.

No Antigo Egito, a ideia de que o desenvolvimento das artes constituía um campo autônomo de sua cultura não corresponde ao espaço ocupado por esse tipo de prática. Assim como em tantos outros aspectos de sua vida, os egípcios estabeleciam uma forte aproximação de suas manifestações artísticaspara com a esfera religiosa. Dessa forma, são várias as ocasiões em que percebermos que a arte dessa civilização esteve envolta por alguma concepção espiritual.

A temática mortuária era de grande presença. A crença na vida após a morte motivava os egípcios a construírem tumbas, estatuetas, vasos e mastabas que representavam sua concepção do além-vida. As primeiras tumbas egípcias buscavam realizar uma reprodução fiel da residência de suas principais autoridades. Em contrapartida, as pessoas sem grande projeção eram enterradas em construções mais simples que, em certa medida, indicava o prestígio social do indivíduo.

O processo de centralização política e a divinização da figura do faraó tiveram grande importância para aconstrução das primeiras pirâmides. Essas construções, que estabelecem um importante marco na arquitetura egípcia, têm como as principais representantes as três pirâmides do deserto de Gizé, construídas pelos faraós Quóps, Quéfren e Miquerinos. Próxima a essas construções, também pode se destacar a existência da famosa esfinge do faraó Quéfren.

Tendo funções para fora do simples deleite estético, a arte dos povos egípcios era bastante padronizada e não valorizava o aprimoramento técnico ou o desenvolvimento de um estilo autoral. Geralmente, as pinturas e baixos-relevos apresentavam uma mesma representação do corpo, em que o indivíduo tinha seu tronco colocado de frente e os demais membros desenhados de perfil. No estudo da arte, essa concepção ficou conhecida como a lei da frontalidade.

Ao longo do Novo Império (1580 – 1085 a.C.), passados os vários momentos de instabilidade da civilização egípcia, observamos a elaboração de novas e belas construções. Nessa fase, destacamos a construção dos templos de Luxor e Carnac, ambos dedicados à adoração do deus Amon. No campo da arte funerária, também podemos salientar o Templo da rainha Hatshepsut e a tumba do jovem faraó Tutancâmon, localizado no Vale dos Reis.

A escultura egípcia, ao longo de seu desenvolvimento, encontrou características bastante peculiares. Apesar de apresentar grande rigidez na maioria de suas obras, percebemos que as estátuas egípcias conseguiam revelar riquíssimas informações de caráter étnico, social e profissional de seus representados. No governo de Amenófis IV temos uma fase bastante distinta em que a rigidez da escultura é substituída por impressões de movimento.

Passado o governo de Tutancâmon, a arte egípcia passou a ganhar forte e clara conotação política. As construções, esculturas e pinturas passaram a servir de espaço para o registro dos grandes feitos empreendidos pelos faraós. Ao fim do Império, a civilização egípcia foi alvo de sucessivas invasões estrangeiras. Com isso, a hibridação com a perspectiva estética de outros povos acabou desestabilizando a presença de uma arte típica desse povo.

A ARTE E A HISTÓRIA

A História é a apresentação, sob forma de narrativa ou de exposição sistemática, dos acontecimentos de qualquer natureza, ocorridos no passado. Compreende não apenas o estudo dos acontecimentos políticos e militares que constituem a vida, por assim dizer, externa das nações e dos estados, mas também o conhecimento das idéias morais ou religiosas, dos usos, das formas de civilização artística, literária ou científica, próprias de cada povo e que, na verdade, explicam sua evolução e sua influência. 

Boa parte das expressões artísticas do homem pré-histórico encontravam-se nas cavernas. As tintas eram preparadas com certas substâncias, por exemplo, o ocre, misturadas à gordura de animais, sangue e água. Pontas de ossos, pedras e madeiras, ramos amassados ou arranjos de penas e pêlos serviam de pincéis. A qualidade porosa das pedras das grutas favorecia a retenção de materiais nelas aplicados, conservando intactas durante longo tempo, as manifestações artísticas primitivas. 

Não há dúvida de que, desde o início, a arte ligou-se intimamente à magia. O objeto principal dessa arte eram os animais. Os caçadores pré-históricos acreditavam, certamente, que ao retratar os exemplares da caça pretendida, nas pinturas das cavernas, podiam dominá-los com maior facilidade e segurança. 

As fase mais avançadas do Paleolítico revelam expressões notáveis de pintura, pequenas esculturas egravações em pedra. O homem torna-se um exímio observador dos animais caçados e de outras forças da natureza, às quais empresta sentido mágico e ritualista. 

• Música Primitiva 

O medo dos fenômenos naturais, a necessidade de defesa, a ânsia de comunicação, provavelmente levaram os primeiros homens a movimentar-se e emitir sons em forma ritmada. Quem sabe, os primeiros rudimentos da dança e música expressavam revolta ou sujeição, alegria da vida ou terror da morte, vitórias ou derrotas. Mas o homem também aprendeu a produzir outros sons: bateu com os pés no chão, com os punhos no peito, com madeira ou osso em outro objeto. “Inventava” a expressão – o tambor – e daí a criar outras famílias de instrumentos musicais – o sopro e corda – foi questão de tempo e evolução técnica. 

E uma característica acompanhou a música, por longo tempo: não era praticada em separado, mas sempre aliada a alguma cerimônia religiosa ou mágica. Os instrumentos, os gritos, os gestos, os cantos, serviam para a comunicação tribal, para a guerra, para avisar sobre os perigos ou espantar os animais, para evocar o auxílio das divindades ou afastar os espíritos nefastos. A elaboração e os instrumentos evoluíam. 

Mas ainda não se descobrira um meio de registrar o som. Só a memória humana o guardava, pois não havia escrita, o que só foi inventado em épocas de cultura mais avançada.

ROCOCÓ


O divertimento de jovens burgueses no jardim: um traço característico do estilo rococó.



O estilo rococó aparece na Europa do século XVIII e, tendo a França como seu principal precursor, se espalha em vários países do Velho Mundo e alcança algumas regiões das Américas, como o Brasil. Para muitos historiadores da arte, o rococó pode ser visto como um desdobramento do barroco em que vários artistas passam a valorizar o uso de linhas em formato de concha e a função decorativa que a arte poderia exercer.

A expressão “rococó” tem origem na palavra francesa rocaille, que designava comumente uma maneira de se decorar os jardins através do uso de rochas e conchas. Chegando ao século XIX, o estilo rococó passa a ser utilizado também para definir outras manifestações desenvolvidas nos campos da arquitetura e das artes ornamentais. No ano de 1943, graças à pesquisa de Fiske Kimball, esse movimento deixa de ser visto como uma variante do barroco para assumir características próprias.

Em geral, a substituição das cores vibrantes do barroco por tons rosa, verde-claro, estabelecem uma primeira diferenciação entre os dois estilos. Além disso, a originalidade do rococó é conferida no abandono das linhas retorcidas e pela utilização de linhas e formas mais leves e delicadas. Do ponto de vista histórico, essa transformação indicava o interesse burguês em alcançar o prazer e a graciosidade nas várias obras que eram encomendadas à classe artística da época.

A primeira fase do rococó, compreendida entre 1690 e 1730, procura se afastar dos preceitos estéticos predominantes no reinado do rei Luís XIV para introduzir o uso de linhas soltas e curvas flexíveis. Nessa época podemos destacar os relevos e gravuras do artista Jean Beráin, os quadros de Jean-Antoine Watteau (1684 - 1721) e os projetos decorativos de Pierre Lepautre (1660 - 1744).

De 1730 a 1770, o rococó amadurece com o surgimento de outros artistas que remodelam as casas da nobreza e da alta burguesia francesa. Nessa fase podemos destacar os trabalhos de Jacques de Lajoue II (1687 - 1761), Juste Aurèle Meissonnier (1695 - 1750) e Nicolas Pineau (1684 - 1754). Esse último artista se destaca pelo projeto de decoração do Hôtel Soubise, marcado por quadros, linhas, guirlandas, curvas e espelhos que tomam o olhar do observador em meio a tantos detalhes.

A relação do rococó com a burguesia também pode ser vista em boa parte dos quadros que definem esse tipo de arte. Ao contrário da forte religiosidade barroca, a pintura desse estilo valoriza a representação de ambientes luxuosos, parques, jardins e temáticas de cunho mundano. As personagens populares perdem espaço para a representação dos membros da aristocracia. A jovialidade e a edificação do prazer, o tédio e a melancolia são os estados emocionais que geralmente contextualizam os quadros do rococó.

A disseminação do rococó pela Europa foi responsável por variações que fugiram da tendência aristocrática que predominou neste estilo. Ao alcançar países como Portugal e Espanha, o rococó penetra a esfera religiosa. No que diz respeito à arquitetura, esse estilo não teve tanta predominância na França, mas vivenciou manifestações mais intensas na Baviera e em Portugal. No Brasil, o rococó teve sua presença no mobiliário do século XVIII e foi corriqueiramente chamado de “estilo Dom João V”.

ARTISTAS DO RENASCIMENTO ITALIANO

• LEONARDO DA VINCI (1452-1519) 

Não foi apenas um pintor famoso, mas também músico, escultor, arquiteto, filósofo, cientista, engenheiro, anatomista e inventor. Essa não especialização do conhecimento fez dele o protótipo do homem renascentista. Sua pintura, ao contrário da pintura idealista de Botticelli, baseou-se na pesquisa científica da natureza. A natureza para Da Vinci, mantém seus segredos profundamente ocultos, exigindo uma análise minuciosa. Esta pintura científica está bem presente em suas obras “Última Ceia”, “A Virgem dos Rochedos”, “A Gioconda” e “Anunciação”. 

• RAFAEL SANZIO (1483-1520) 

Para Rafael Sanzio, não há conflitos entre o paganismo antigo e o cristianismo embelecido terrenalmente. Nesse pintor, encontramos um bom exemplo do humanismo evangélico. Seus ideais são os da doçura e da piedade; a beleza e a verdade se igualam, sendo que a primeira é vista como um fim em si mesmo. Suas principais obras são: “A Escola de Atenas” e “Madona Sistina”. 

• MICHELANGELO (1475-1564) 

Em Michelangelo podemos notar o conflito entre o paganismo e cristianismo, que aparece sob forma trágica em sua obra. As obras principais como pintor foram os afrescos pintados no teto da Capela Sistina, onde se destacam: “Deus separando a luz das trevas”, “A Criação de Adão”, e “O Juízo Final”. São também notáveis na pintura italiana: Fra Lippo, Fra Angelico, Ticiano, Corregio, Veronese, Ghirlandaio e Tintoretto. Foi Tintoretto (1518-1549) quem introduziu um novo estilo na pintura italiana: o Barroco. 

• Escultura 

Na escultura, aparecem os primeiros nomes mais importantes nos séculos XIV e XV. Entre eles, os irmãos Pisano (André e Nicolau) e Ghibert. O apogeu da escultura renascentista é marcado por Michelangelo, considerado o maior gênio da humanidade na escultura, onde deixou para à posteridade, admiráveis obras como : Davi, La Pietá e Moisés. 

• Arquitetura 

Acompanhou a renovação das outras artes plásticas. As mais importantes foram: 

- ALBERTI – Um dos fundadores da arquitetura renascentista; 
- BRUNELESCHI – Considerado o primeiro grande arquiteto do Renascimento, onde sua obra mais importante é a Catedral de Florença; 
- BRAMANTE – Projetista e autor de plantas inclusive a da Basílica de São Pedro, no Vaticano; 
- MICHELANGELO – Além de outras obras, projetou a cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano;

ACADEMICISMO

Academicismo, termo que, na arte, se refere à pintura, escultura ou construção criadas segundo normas de uma academia. Em geral, as academias são as instituições que conferem caráter oficial aos princípios estilísticos de um determinado período. 

Pintura, arte de aplicar cores sobre diferentes superfícies para criar uma imagem ou desenho figurativo, imaginário ou abstrato. 

Meios, técnicas e estilos 

Através dos séculos, sucederam-se diferentes métodos e estilos artísticos, assim como teorias relacionadas com a finalidade da arte para, em alguns casos, reaparecerem em épocas posteriores com alguma modificação. No Renascimento, a pintura de afrescos em muros e tetos cedeu espaço à pintura de cavalete a óleo, mas retornou no século XX com os muralistas mexicanos. A necessidade de expressar uma emoção intensa por meio da arte une pintores tão diferentes como o espanhol El Greco, do século XVI, e os expressionistas alemães do século XX. 

No pólo oposto da intenção dos expressionistas de revelar a realidade interior, sempre houve pintores empenhados em representar exatamente os aspectos exteriores. O realismo e o simbolismo, a contenção clássica e a paixão romântica foram-se alternando no decorrer da história da pintura, revelando afinidades e influências significativas 

Escultura (em latim, sculpere, ‘esculpir’), arte de criar formas figurativas ou abstratas, tanto planas quanto em relevo. 

Técnicas e materiais 

É possível fazer esculturas com quase todos os materiais orgânicos e inorgânicos. Os processos da arte escultória datam da antigüidade e sofreram poucas variações até o século XX. Estes processos podem ser classificados segundo o material empregado: pedra, metal, argila ou madeira. Os métodos utilizados são o entalhe, a modelagem e a moldagem. No século XX, o campo da escultura foi ampliado e enriquecido, com o surgimento de técnicas novas — como a soldagem e a montagem — e a utilização de novos materiais, entre eles o tubo de néon. 

Entalhe 

O entalhe, considerado o paradigma da técnica da escultura, é um processo que requer tempo e esforço. O artista trabalha uma escultura, cortando ou extraindo o material supérfluo, até obter a forma desejada. O material é sempre duro e, com freqüência, pesado. Geralmente, o desenho é compacto e determinado pela natureza do material. Por exemplo, o estreito bloco de mármore que Michelangelo utilizou para esculpir David (1501-1504) condicionou de forma notável a postura e limitou o movimento espacial da figura. 

A escolha da ferramenta a ser utilizada depende do material sobre o qual se vai esculpir e do estado em que este se encontre. No caso da pedra, os primeiros cortes de desbaste são feitos com ferramentas muito afiadas. Depois desta fase, o escultor continua a obra, talhando e esculpindo. Posteriormente, passa a usar ferramentas menos cortantes, como a goiva e a lima. O trabalho de acabamento é feito com uma lima suave. Por fim, o artista recorre a uma lixa, pedra-pome ou areia. Caso pretenda maior grau de suavidade, acrescenta uma pátina transparente, feita com azeite ou cera.

Modelagem 

A modelagem consiste em acrescentar ou elaborar formas. Para isso, são utilizados materiais macios e flexíveis, aos quais se pode dar forma sem dificuldade. Desta maneira, o escultor pode captar e registrar impressões no tempo aproximado ao que um pintor necessita para fazer um esboço. Entre os materiais utilizados, desde a antigüidade, para modelar uma escultura, estão a cera, o gesso e a argila. Posteriormente cozidas, elas se tornam mais resistentes. 

Moldagem 

O único método para tornar durável uma obra modelada é moldá-la ou fundi-la em bronze ou alguma outra substância não-perecível. Existem dois métodos de moldagem: a cera perdida e a areia. Ambos os métodos são utilizados desde a antigüidade, embora o processo com cera perdida seja mais comum. A moldagem feita com areia é um processo mais complicado, pois utiliza um tipo de areia muito fina e de grande coesão, misturada com uma pouco de argila. Assim, obtém-se um modelo positivo e um molde negativo, um pouco maior do que o original do artista. Por fim, o escultor derrama, entre ambas as camadas, o metal derretido, que endurece ao esfriar. 

Construção e montagem 

Embora as técnicas tradicionais continuem a ser utilizadas, muitas esculturas do século XX foram feitas com base na construção e na montagem. Estes métodos remetem à colagem, técnica pictórica criada, em 1912, por Pablo Ruiz Picasso e Georges Braque e que consiste em colar papéis e outros materiais diferentes sobre uma pintura. Nas suas construções, Picasso usou papel e outros tipos de material para produzir objetos tridimensionais. A escultura construtivista vai das caixas surrealistas de Joseph Cornell até as obras com sucata de automóveis e partes de máquinas de John Chamberlain, ambos norte-americanos. O termo montagem, que na atualidade se confunde à construção, foi cunhado pelo pintor francês Jean Dubuffet para referir-se à própria obra, surgida da colagem.

A ARTE PERSA

Arte Persa é muito pouco original. Nesse campo, os persas assimilaram as produções dos povos vizinhos. A finalidade da arte persa era reproduzir a vida do rei, para engrandecê-lo. Com o mesmo objetivo, construíram palácios imensos e luxuosamente decorados, com jardins internos para divertimento dos soberanos. 

Alguns destes palácios foram cavados na rocha, como o dos egípcios. Os persas trabalhavam também com muita habilidade, a arte do relevo, a ourivesaria e a decoração em ladrilhos esmaltados. Devemos ainda citar, as ruínas de duas das principais cidades do império, “Persépolis” e “Susa”, que testemunharam seu grande desenvolvimento artístico. 

• A Música no Antigo Oriente 

A invocação, magia e lazer eram do ponto de vista musical, características que o Oriente guardava como vestígios de uma música milenar, que se transformou com o passar dos séculos, sem contudo perder essas características. 

Na antigüidade, o homem fazia música pelo que sabemos, somente por alguns instrumentos fixados em esculturas, achados em escavações, através de pinturas e desenhos, com personagens encontrados executando instrumentos ou em posições de canto e dança. Mas o som, como eram feitos esses instrumentos ? Como eram tocados ? Que músicas tocavam e dançavam ? Tais perguntas dificilmente serão respondidas, pois os sons se perderam ao longo do tempo e espaço.

A ARTE MESOPOTAMICA

Entendemos por povos mesopotâmicos, as civilizações que se desenvolveram na área das terras férteis localizadas entre os rios Tigre e Eufrates, denominada comumente “Mesopotâmia”. Entre eles estão os sumérios, os assírios e os babilônicos. 

As principais manifestações da arquitetura mesopotâmica eram os palácios, em geral muito grandiosos; como havia pouca pedra, as paredes tinham que ser grossas, pois eram feitas de tijolos. Os templos possuíam instalações completas, com aposentos para os sacerdotes e outros compartimentos. Um traço característico dessa arquitetura era o “Zigurate”, torre de vários andares, em geral sete, sobre a qual havia uma capela, usada para observar o céu. 

Os escultores representavam o corpo humano de forma rígida, sem expressão de movimento e sem detalhes anatômicos. Pés, mãos e braços ficavam colados ao corpo, coberto com longos mantos; os olhos eram completados com esmalte brilhante. As estátuas conservavam sempre uma postura estática ante a grandiosidade dos deuses. As figuras esculpidas em baixo-relevo se caracterizavam por um grande realismo. 

Na pintura, os artistas se utilizavam de cores claras e reproduziam caçadas, batalhas e cenas da vida dos reis e dos deuses. A produção de objetos de cerâmica alcançou notável desenvolvimento entre os persas, que utilizavam também tijolos esmaltados

A ARTE E MICHELANGELO


Maneira de expressar uma época ou sociedade, a arte, espelhou o choque cultural entre os dogmas sacros e o movimento humanista que surgira no Renascimento. Enquanto a Igreja estabelecia padrões, pregando Deus como o centro do universo, os humanistas defendiam o antropocentrismo e à busca pela verdade. Assim, Michelangelo, um dos principais artistas da época, manifestou em obras sacras, os ideais deste movimento, caracterizando uma nova concepção sobre a vida humana. 

INTRODUÇÃO 

Até o final da Idade Média a Igreja dominava a produção do conhecimento, e Deus era o centro do universo. Com o desenvolvimento econômico, social e político, surgiu um grupo de intelectuais interessados em combater a ordem e a hierarquia do mundo medieval, influenciando não só a vida social da época, mas também a arte, visto que, esta reflete a realidade histórica, pois o artista manifesta em suas obras a moral e a ética de seu mundo. 

Buscando compreender os fatores políticos – religiosos que influenciaram a arte renascentista manifestada por Michelangelo, bem como a contribuição para a formação cultural da sociedade, é através da avaliação da origem passada para os dias de hoje, e de análise bibliográfica, que apresentamos o período de transição da Idade Média para a Idade Moderna, apontando a nova concepção de vida que surgiu com a Renascença. 

A transição do convencionalismo católico para a ideologia humanista, onde o homem era visto com ser dotado de liberdade e capacidade individual gerou um conflito político cultural transmitindo à humanidade outro tipo de conhecimento, além de uma nova estrutura social. 

MICHELANGELO, ARTE COMO UMA REPRESENTAÇÃO CULTURAL 

Complexa em sua totalidade, a arte manifesta-se na humanidade de várias formas, sendo conceituada de diversas maneiras. Presente ao longo da história, diverge conforme a época e tendência, não deixando de ser uma expressão pessoal do artista, uma manifestação social, o significado de uma cultura. Considerada instrumento de divulgação e esplendor, até hoje, ela é utilizada para expor ideais, influenciar a sociedade e, como meio de poder para quem a detêm. Entre os séculos XV e XVI, período de profunda transformação histórica, a valorização do homem defendida pelos humanistas se opõem aos credos da Igreja e reflete-se, de maneira nítida, como um espelho humano, os acontecimentos, nas representações artísticas. Michelangelo, um dos principais criadores Renascentistas, mostrou com clareza a fase e a fé da sociedade. 

A humanidade possui a necessidade de expressar seus sentimentos, idéias e sua época. A maneira mais utilizada e conhecida através dos tempos é as diferentes formas de arte, o que lhe agrega diferentes conceitos. Estabelecer uma definição absoluta é inadequado, uma vez que, classificar o belo abrange inúmeras opiniões. 

Sem dúvida, um dos apogeus da Arte ocorreu na Renascença com a visão sacra manifestada por Michelangelo. No inicio do século XV, os artistas passam a transmitir em suas obras uma nova concepção cultural, acompanhando o desenvolvimento econômico social e político das cidades, o contexto principal da transição da Idade Média para a Idade Moderna. Nesse crescimento, surgiu um grupo de intelectuais interessados em renovar os estudos ministrados nas Universidades Medievais que privilegiavam a teologia, o direito e a medicina. Essa elite de pensadores desejava um conhecimento voltado para a poesia, a filosofia, a história, a matemática e a retórica, isto é, para aquelas disciplinas onde se valorizavam as atividades próprias do homem e o preparavam para o exercício de sua liberdade.

Denominados humanistas, eles questionavam a hierarquia do mundo Medieval estabelecida até então, onde a Igreja era um monopólio, Deus o centro do universo, e o homem submisso a isso. Procuravam, reinterpretar os Evangelhos à luz dos valores da Antiguidade Clássica, exaltando o ser humano como dotado de liberdade, de vontade e de capacidade individual. Apesar da produção artística do Renascimento espelhar-se na cultura greco-romana, traduz as mudanças vividas pela sociedade moderna . Sua característica antropocêntrica, trouxe o interesse pela investigação da natureza, o culto à razão e à beleza, características da cultura greco-romana, criando as bases do Renascimento artístico e cientifico dos séculos XV e XVI. 

A educação passou a ter mais valorização. A burguesia, nova classe social que surgira, havia percebido a necessidade de controlar o mercado natural, principal fonte de produção e lucro. Apesar do mundo oferecer muitas riquezas, o conhecimento assumiu caráter racional a partir deste momento, e todas as informações passaram a ter propósitos lucrativos, afinal o capitalismo estava surgindo. Além do racionalismo, o individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho, trazendo a idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, sem que isto implicasse no isolamento humano, mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões. 

A Arte Renascentista continuou cristã, porém adaptada à nova realidade moderna. Analisando as obras de Miguel Ângelo Buonarotti, percebe-se os valores estéticos culturais definidos com clareza. Baseado no equilíbrio das formas, em uma nova sociedade, utilizando a perspectiva e a proporção geométrica, destacam-se as formas que traduziam os conceitos humanistas numa poderosa expressão, exteriorizando uma renovada conquista moral. Além de fundir os valores tradicionais do classicismo com uma nova interpretação mais livre e ritmada da linguagem, as figuras se movimentam com imponente naturalidade, acentuando o aspecto dramático e cheio de força expressiva, valorizando sobretudo o homem, ou seja, uma nova “monumentalidade” do ser. Em Davi (Anexo 1), a figura humana demonstra não um herói, mas sim um paladino por causa justa. Já Baco (Anexo 2,) escultura solicitada pelo Cardeal Rafaello Riario ao artista, teve origem de uma ilustração com o paradeiro desconhecido. A estátua de um Deus do vinho emana desequilíbrio e deboche, ao contrário da agonia e sofrimento da figura original. Logo, o cardeal renegou a obra. 

As esculturas englobam uma expressão corporal que garante o equilíbrio, revelando uma imagem humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas; e as expressões das figuras, refletem seus sentimentos. Mesmo contrariando a moral cristã da época, a inteligência mergulha livre para fecundar a beleza, o nu volta a ser utilizado refletindo o naturalismo como forma de valorizar o homem como a medida de todas as coisas. 

Entretanto, em Pietá (Anexo 3) , a Virgem do pintor e escultor mostra uma mulher jovem, serena, sem sofrimento, contrapondo as imagens das Santas Medievais com faces tristes. Michelangelo afirma que “ a mãe de Deus não deve chorar como uma mãe terrena ”. Questiona-se portanto a maneira como a Igreja apresenta a morte de Cristo, pois conforme a Bíblia, esse seria o caminho da salvação, não devendo representar sofrimento aos olhos humanos. O homem independe de Deus , apesar de, perceber-se como força inventora capaz de influir nos destinos da humanidade, descobrindo, conquistando e transformando o Universo. 

O povo, em sua essência, precisa se apegar e crer em algo para ter forças a superar o percurso vital da vida. A fé, ultrapassa aos anos e é subseqüente para a conquista de muitos. Até os incrédulos em Deus vivem acompanhados de seus “amuletos”. 
A Igreja sempre procurou dominar a sociedade, a riqueza, e durante muito tempo induziu reinos, vendeu indulgências, destorceu e desfrutou dos fatos bíblicos, a fim de conquistar seu apogeu. Um dos meios era apropriar-se do conhecimento humano como maneira de apoderar-se do pensamento. O inculto, crê facilmente, uma vez que não artifícios para contestar os absurdos sacros. A evolução do saber influenciou os pensadores na busca à verdade. Os Humanistas, defensores da importância do ser como forma de existir, aos poucos, no período Renascentista, foram conquistando seu espaço. No entanto, uma das formas para Igreja não perder seus fiéis, foi contratar e aceitar as novas imagens Santas desenvolvidas por Michelangelo.